quinta-feira, 19 de abril de 2018

Diversidade - A Vida na Terra (Nicola Davies e Emily Sutton)

Quantas espécies existem no mundo? E, dessas, quantas conhecemos? E quantas terão deixado de existir devido à intervenção humana? A diversidade é uma parte fundamental do equilíbrio do planeta e entendê-la é o primeiro passo para cuidar. E esse, então, o tema deste cativante e colorido livro, que permite aprender com toda a clareza - e todo o encanto de uma nova descoberta.
À semelhança do que aconteceu em Minúsculos - O Mundo Invisível dos Micróbios também este livro tem na forma como permite assimilar ideias através da visualização e de um conjunto de explicações simples o seu grande ponto forte. Basta folhear para que a beleza das imagens prenda a atenção e, quando se começa a ler, a informação surge de forma sucinta, mas perfeitamente clara e muito cativante. Surge, pois, naturalmente a ideia sempre actual do aprender brincando - e é muito fácil aprender com este livro.
Tem também a muito relevante qualidade de não só realçar a diversidade das espécies como de apelar a uma certa consciência ecológica, realçando o papel da acção humana na extinção de algumas espécies e apelando ao tal cuidado que é sempre tão essencial. E também isto surge com naturalidade, o que nunca deixa de ser a melhor forma de assimilar ideias e informações.
Importa ainda voltar uma vez mais ao aspecto visual, pois, sendo um livro para os mais novos, a imagem é tão ou mais importante que as palavras. E o aspecto deste livro é encantador. As imagens das diferentes espécies e os cenários cheios de cor fazem deste livro uma viagem à beleza natural do mundo, o que, tendo em conta que o tema é a diversidade e a sua importância, serve também para sublinhar a importância da mensagem. 
No fim, fica uma imagem à semelhança deste livro: uma aprendizagem feita de conhecimento e de cor, de factos e de preocupações e de uma visão do mundo como algo que necessita de ser cuidado. Uma belíssima leitura, portanto, para aprender e despertar consciências desde cedo. Muito bom. 

Autoras: Nicola Davies e Emily Sutton
Origem: Recebido para crítica

quarta-feira, 18 de abril de 2018

E Depois Chegaste Tu (Jennifer Weiner)

Jules é uma estudante universitária sem grande vida social e à procura de uma solução que lhe permita ajudar o pai a deixar para trás o vício que o arruinou. Annie ama o marido e os filhos, mas as dificuldades financeiras começam a ser demasiado difíceis de suportar. E Bettina sente-se tudo menos confortável com a nova mulher do pai, India, e com a ideia de eles virem a ter um bebé. Dificilmente poderiam ser mais diferentes mas os seus caminhos estão prestes a cruzar-se irreversivelmente: Jules doou o óvulo, Annie servirá de barriga de aluguer e India deverá ser a mãe. O plano é simples. Mas, quando menos esperam, um acontecimento dramático dá a tudo um rumo completamente diferente. E encontrar uma solução adequada poderá ser tudo menos fácil...
Alternando entre as perspectivas das diferentes personagens e, a partir daí, construindo uma cativante mistura de medos, segredos e pequenos grandes dramas familiares, este é um livro que cativa, acima de tudo, pelo facto de não haver personagens perfeitas. Todas as personagens estão a lutar com alguma espécie de problema, presente ou passado, e isso faz com que a situação que estão a viver nunca pareça demasiado fácil. Além disso, o facto de ser uma história que envolve barrigas de aluguer, mas não estritamente apenas sobre este tema, abre caminho a uma visão muito mais vasta do todo. 
Jules, Annie, India e Bettina. Qualquer uma delas justificaria por si só um romance e, por isso, é inevitável a sensação de que haveria mais história para contar: da relação amorosa de Jules, da história entre Bettina e Darren, até mesmo das relações familiares de Annie ou das mudanças operadas na vida de India. Ainda assim, há um ponto comum que as une a todas e esse ponto comum - o bebé que está para nascer - é também o fio condutor de todo o enredo. Assim, faz sentido que a história termine naquele preciso momento, e também o faz que nem tudo tenha respostas limpas. Afinal, ninguém sabe tudo na vida e nenhuma história acaba verdadeiramente na palavra fim.
Voltando ainda outra vez à imperfeição das personagens, é interessante a forma como esta imperfeição se reflecte nos acontecimentos, motivando momentos de tensão, mas também de ternura, rasgos de fúria e pequenas revelações. Há muitas coisas marcantes a acontecer e só acontecem porque nenhuma das personagens é perfeita e infalível. Porque todas têm espaço para crescer - e crescem, de facto.
No fim, fica esta imagem de evolução e de crescimento, não só de uma vida ainda por chegar, mas principalmente na vida das intervenientes no processo. Uma história bonita, cheia de momentos marcantes e com um grupo de personagens tão memorável nas forças como nas vulnerabilidades. Gostei.

Autora: Jennifer Weiner
Origem: Recebido para crítica

terça-feira, 17 de abril de 2018

A Mulher Culpada (Elle Croft)

Bethany Reston ama o marido, mas nunca soube bem o que queria da sua vida e, quase sem dar por isso, viu-se envolvida num caso amoroso com um cliente, o bilionário Calum Bradley. Não é algo de inconsequente e sente que ama verdadeiramente Calum. Mas também ama o marido e a situação começa a pesar-lhe. E, quando pensa que uma discussão e o consequente afastamento temporário são o maior dos seus problemas, Calum é assassinado numa estação de metro - a mesma onde Bethany se encontrou com ele poucos minutos antes. Bethany não é a responsável pelo crime, mas também não pode propriamente admitir que estava a ter um caso. Principalmente a partir do momento em que começa a receber mensagens ameaçadoras do verdadeiro assassino.
A principal qualidade deste livro é, sem dúvida alguma, a intensidade. Escrito em capítulos relativamente curtos, com um estilo directo em que a acção e a tensão predominam, e com um enredo onde suspeitas, segredos e revelações parecem ocupar um claro papel de protagonismo, é fácil entrar no ritmo da narrativa - e é difícil parar de ler antes do fim. Bethany pode ser inocente, mas tem segredos a esconder. E, quando o verdadeiro assassino entra em cena, com a sua identidade desconhecida e os seus planos de perseguir e incriminar Bethany, é impossível resistir à curiosidade de saber o que acontece a seguir.
Claro que, ao centrar a história na perspectiva de Bethany, a aura de mistério em torno dos restantes aumenta. E, se isto contribui para manter acesa a tal curiosidade em descobrir as respostas, também deixa, por vezes, a sensação de que algumas coisas acontecem demasiado depressa. Teria sido interessante saber um pouco mais sobre a história de Jason ou a posição de Alex relativamente à situação. E a fase final, com a sua derradeira revelação completamente inesperada e uma conclusão... bem, bastante invulgar para este género de livro, talvez pudessem ter ganho ainda mais intensidade se aspectos como o julgamento tivessem sido mais desenvolvidos. 
Há, ainda assim, um outro aspecto que se destaca - a capacidade de transmitir com toda a clareza as motivações das personagens. Claro que, sendo a história vista pelos olhos de Bethany, é ela quem sobressai neste aspecto e a forma como a autora transmite o seu medo, a sua apreensão e também os seus dilemas de consciência aumenta em muito a intensidade do enredo. E, ainda que de forma mais ténue (e parcial, pois surge maioritariamente da perspectiva de Bethany) também para as outras personagens é possível reconhecer forças e vulnerabilidades, traços de carácter e máscaras que se recusam a cair. 
No fim, fica a impressão de uma história que talvez pudesse alongar-se um pouco mais em alguns momentos, mas que basta, tal como é, para cativar do início ao fim. Intenso, misterioso e surpreendente, um livro para devorar de uma assentada. E uma autora a seguir.

Autora: Elle Croft
Origem: Recebido para crítica

domingo, 15 de abril de 2018

A Rapariga Alemã (Armando Lucas Correa)

1939. Apesar dos perigos e da omnipresença das bandeiras vermelhas, brancas e negras, a rua é o único refúgio onde Hannah Rosenthal, de doze anos, ainda encontra alguma alegria. Em casa, os pais mantêm conversas sussurradas e parecem fazer planos que lhe inspiram pouca confiança e só a companhia do amigo Leo, também ele na mesma situação, lhe alegra a vida. Mas os seus dias em Berlim estão contados e a única fuga possível e embarcar no St. Louis, um possante navio que os deverá levar para Cuba - se o governo de lá estiver disposto a aceitá-los. Cuba deveria ser apenas um lugar de passagem, mas, setenta anos depois, Hannah continua lá - e as suas cartas chegam às mãos da última Rosenthal, uma menina de doze anos que não conhece a história da sua família. Hannah e Anna partilham o mesmo nome e o mesmo passado. E é tempo de revelar os segredos que durante tanto tempo perduraram. 
Dividido entre dois momentos diferentes e as perspectivas das duas protagonistas, este é um livro que tem como principais qualidades dois aspectos: a capacidade de alimentar uma certa aura de mistério e um enredo onde não há caminhos fáceis. Quanto aos caminhos fáceis, nunca os poderia haver tendo em conta a época em que parte do enredo decorre e as inevitáveis perdas associadas a um tal percurso. Quanto ao mistério, vive de segredos perpetuados ao longo do tempo: alguns de grande impacto, outros apenas símbolos de uma vida que passou.
Ainda que a história se centre principalmente em Hannah e Anna, com as suas fascinantes histórias e descobertas, a história vive também muito das personagens que as rodeiam. No caso de Hannah, o pai, a mãe, Leo e Julian trazem consigo uma série de enigmas que, à medida que vão sendo desvendados, deixam a sua marca tanto na protagonista como no leitor. No caso de Anna, também o pai e a mãe, mas principalmente a descoberta da tia Hannah e da grande história que tem para contar, traçam o seu percurso de crescimento. E é este crescimento de ambas que torna tudo tão marcante: são pessoas diferentes em tempos diferentes e, no entanto, partilham da mesma inocência e da mesma perda e isso torna particularmente cativantes os seus percursos convergentes.
Claro que há um contexto global mais vasto, que começa, desde logo, na vida em Berlim em 1939 e depois se expande às mudanças graduais, à chegada da guerra, ao tratamento dado aos judeus tanto na Alemanha como a bordo do St. Louis e, depois, às mudanças ocorridas em Cuba. E, ao centrar a história nas duas protagonistas, o autor acaba por deixar alguns aspectos para segundo plano. Leo, o pai de Hannah, o marido de Esperanza, Gustavo, até mesmo Julian - também eles têm em si as bases de uma grande história, que acaba por se revelar apenas parcialmente. Fica por isso uma certa sensação de que mais haveria a dizer sobre qualquer um deles, ainda que também a impressão de que estas revelações veladas e parciais fazem um certo sentido, pois é apenas essa a informação que as protagonistas obtêm. 
Com uma cativante aura de mistério e vários momentos comoventes, no fim, fica a imagem de uma história marcante, sem respostas fáceis, mas repleta de momentos belos e angustiantes. Uma história de vidas de passagem e de um período histórico que, por tudo o que o definiu, nunca será demais voltar a abordar. Vale, pois, muito a pena descobrir este livro. E, com Anna e Hannah, viajar até ao passado.

Autor: Armando Lucas Correa
Origem: Recebido para crítica

sábado, 14 de abril de 2018

Violeta e Índigo Descobrem Michelangelo (Isabel Zambujal e Júlio Vanzeler)

Violeta e Índigo são dois amigos curiosos e sabem que o mundo das artes é uma fonte inesgotável de conhecimento novo. Basta que uma pequena brincadeira traga ao pensamento uma imagem famosa e, sem dar por isso, os dois amigos são transportados para a história da vida do criador. Neste caso, a fascinante e proveitosa vida de Michelangelo, autor de obras tão célebres como o David ou os frescos da Capela Sistina. E há tanto para aprender sobre este pintor...
Um dos aspectos mais cativantes deste pequeno livro é que, ao acrescentar à história da vida de Michelangelo as interessantes figuras de Violeta e Índigo, os autores transpõem para o presente a história passada, tornando tudo mais nítido e fácil de assimilar. Violeta e Índigo vão aprendendo sobre o pintor e as obras - e essa aprendizagem acontece ao mesmo ritmo para o leitor. Ora, a impressão que fica é então a de uma descoberta conjunta, o que, para os jovens que começam a descobrir o (às vezes tão complexo) mundo da arte, torna tudo mais simples e também mais interessante.
Trata-se também de um livro cheio de cor, em que as ilustrações das aventuras dos protagonistas são complementadas com imagens das obras do pintor referido. O que permite, em primeiro lugar, situar as imagens das obras no percurso da vida do seu autor e, em segundo, uma melhor visualização deste percurso. Sem esquecer, é claro, a divertida aventura dos mais modernos mas igualmente cativantes amigos que protagonizam esta série de livros.
E, sendo como é um livro pequeno, há ainda um pequeno espaço para complementar a história com alguns jogos divertidos, o que acrescenta à leitura um toque de interactividade que torna o livro mais interessante. Pois a história em si - e o conhecimento que contém - bastam para que a leitura valha a pena, mas, sendo um livro para os mais novos, este breve conjunto de actividades acrescenta-lhe ainda um pouco mais de encanto.
É uma visão sucinta, naturalmente, até porque as vidas dos grandes pinturas nunca se poderiam resumir em trinta páginas. Mas é, acima de tudo, um belo ponto de partida para interessar os mais novos pelo mundo da arte, mostrando as suas mais interessantes facetas numa aventura leve, cativante e divertida. Tudo somado, fica, como não podia deixar de ser, uma impressão bastante positiva - e uma agradável curiosidade em conhecer os restantes volumes.

Título: Violeta e Índigo Descobrem Michelangelo
Autores: Isabel Zambujal e Júlio Vanzeler
Origem: Recebido para crítica

Divulgação: Novidades Bizâncio

A música pode ajudar a ultrapassar conflitos?
Pode ajudar a combater a descriminação?
Para o autor de O Poder da Música, sem dúvida que sim.
Percorrendo treze países diferentes, em cinco continentes, o autor dá-nos a conhecer a história de vida de alguns dos mais espantosos músicos, em locais do mundo improváveis, que lutam contra obstáculos intransponíveis para que se instale a paz e a harmonia em lugares tão difíceis como o campo de refugiados de Shuafat, na Palestina, a Tanzânia, o México, a Irlanda, o Kosovo, entre outros.
Por mais duras e difíceis que sejam as situações é espantoso como sempre se revela, tal como Daniel Barenboim já antes provara, O Poder da Música

O livro não consegue adormecer. Está a tremer, coitadinho!
Assim inicia este livro.
O pequeno ratinho vai acalmando o livro a cada página e podemos acompanhar as alterações na cor das páginas e nas expressões do livro à medida que vai vencendo o medo.
Para crianças a partir dos dois anos de idade, este livro, cartonado, com textos de Cédric Ramadier e ilustrações de Vincent Bourgeau ajuda as crianças a lidar com uma das emoções mais comuns entre os mais pequenos: o medo.

A acção desenrola-se como uma pescaria no gelo.
O Pinguim tenta pescar no seu buraco no gelo, só que o peixe não morde!
A trupe de amigos polares vai-se juntando ao Pinguin e vai tagarelando e dando palpites, irritando-o.
Qual será o mistério?




sexta-feira, 13 de abril de 2018

Desejo Amaldiçoado (Linda Chapman)

Agora que as Amigas Estrela descobriram os seus poderes, tudo parece mais novo e interessante no seu mundo. Mas há alguém a recorrer à magia negra para espalhar tristeza e cabe às amigas impedir que isso aconteça. E, quando uma maré de azar parece abater-se sobre os elementos da equipa de ginástica, não tarda a tornar-se evidente que não é apenas uma coincidência. Maia, Sita, Ionie e Lottie terão de recorrer aos seus poderes para travar a sombra que está a causar todos aqueles problemas. Até porque Lottie é também um dos alvos...
Um dos aspectos mais cativantes dos livros dos Amigos Estrela é que, apesar de se destinar nitidamente a um público mais jovem, tem tudo para cativar todo o tipo de leitores. A história é simples, mas cheia de magia e de surpresas. As personagens têm a inocência da infância, mas também a curiosidade ilimitada e a vontade de descobrir coisas novas características de quem começa a desvendar um mundo mais vasto. E as regras subjacentes - os diferentes tipos de magia, a necessidade de guardar segredo e a interacção com os Animais Estrela - criam uma base cheia de potencial para cada uma destas aventuras. 
Aqui, surge uma ideia que não é propriamente nova: a de que é preciso ter cuidado com o que se deseja. E é a partir deste ponto que nasce uma história cheia de episódios interessantes. Claro que não é difícil adivinhar de que forma as coisas acabarão por terminar, mas a envolvência do percurso é mais do que suficiente para compensar a relativa previsibilidade do destino. Além disso, e embora as linhas entre o bem e o mal estejam claramente definidas, há pequenos aspectos na história que deixam antever perspectivas um pouco mais complexas - a começar, desde logo, pela tal necessidade de manter em segredo os assuntos do Mundo Estrela.
É também uma história de amizade, e do tipo de amizade que cresce e se desenvolve com a passagem do tempo. Neste livro em concreto, Ionie assume um papel mais preponderante, o que, além de acrescentar novas possibilidades ao enredo central, abre caminho a novas relações entre as personagens. E também nisto há uma certa magia - a magia da descoberta dos outros - a acontecer, e uma estranha ternura que transparece tanto no desenrolar da história como nas ilustrações que a acompanham. 
A impressão que fica é, pois, naturalmente positiva. Leve e cativante, uma história de magia e de amizade - principalmente de amizade - em que tudo é possível, bastando para isso acreditar na magia. Um livro bonito, em suma, e uma boa aventura... para os mais novos e não só.

Autora: Linda Chapman
Origem: Recebido para crítica